Ed's so called life

Forget about that "Dear Diary" shit.

5.12.02

O poder destrutivo do amor
Nesses dias me peguei observando minha coleção de filmes, e comecei a analisar os últimos a que assisti.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: era uma garota feliz, gostava de ajudar os outros, e se satisfazia com isso. Tudo ia bem na sua vida, até que ela se apaixonou, e começou a se sentir incompleta, deprimida, chorava, etc. Todas aquelas coisas que não sei se acontecem com qualquer um.
Moulin Rouge: Satine era uma cortesã (eufemismo para prostituta), mas não se sentia mal com essa condição; pelo contrário: vivia uma vida de glamour, parecia até mesmo se divertir com aquilo, até que se apaixona por Christian. Mas como ela não podia largar a “profissão”, seu amor era impossível, trazendo-lhe sofrimento até sua morte por tuberculose, que quem conhece literatura sabe que é uma das doenças de amor não reconhecido.
Vanilla Sky: O personagem de Tom Cruise tinha uma vida boa, respeitado, era bajulado por todos, até o dia que se apaixona pelo personagem de Penélope Cruz. Daí acontece uma tragédia na sua vida, tudo muda de direção e, bem, se eu contar mais o filme perde a graça.
A.I.: O robozinho viaja o mundo todo para conseguir de qualquer maneira conseguir o amor da mãe.

Tirando o último filme, todos os personagens tinham vidas estáveis e relativamente felizes, cada um no seu limite. Mas no momento em que se apaixonaram, suas vidas se tornaram vazias.
Isso nos leva a questionar se vale mesmo a pena toda essa supervalorização do amor. Cá entre nós, meus últimos relacionamentos foram bem menos trágicos que os filmes, na verdade se minha vida fosse um seriado eles não dariam um episódio completo. Há um ano e meio me apaixonei, e como é de praxe, não fui retribuído. Desde então parecia que minha vida tinha perdido sentido, que eu nunca amaria ninguém. Mas é bobagem. Já tinha me apaixonado antes, achava tudo isso, mas hoje ignoro a existência dessa pessoa, na verdade sinto uma mistura de desprezo e nojo, e provavelmente será isso que eu sentirei por essa paixão não retribuída daqui a algum tempo. É o ciclo da minha vida.
Muitos dizem que amor e ódio são os dois lados da mesma moeda. Eu estou quase acreditando nisso, já que como se pressupõe que o amor seja um sentimento tão forte, só pode ser substituído por algo de mesma intensidade. É como em eletrônica, corrente alternada, aquele gráfico que oscila entre valores extremos opostos (+9, 0, -9 – por exemplo).
Quantas pessoas já abriram mão de progressos em suas vidas em nome do amor? Casamentos a faculdades, filhos fora de hora, vidas medíocres, onde não se vive, mas se sobrevive. Dinheiro contado para o mês, fora o mundo de dívidas. Nenhuma diversão. Tudo isso para chegar em casa e ter com quem transar. Sinceramente é isso. Ou vai me dizer que depois de dez anos de casados os casais ainda trocam juras de amor? Alguns nem se beijam! Olhe para seus pais, por exemplo. Os meus mesmo nem se olham mais, quiçá trocarem alguma forma de carinho. E é isso que acontece com os outros. O amor é como uma lata de leite condensado. Muito doce e gostoso na primeira colherada, mas depois de algumas mais se torna enjoativo e ninguém a agüenta até o fim.
Como o melhor amigo do personagem principal de Vanilla Sky disse, there’s no sugar without the sour, para existir o doce do amor, você precisa provar o amargo. E eu conheço o amargo. Mas o que acontece quando de repente você começa a ser bem sucedido em outras áreas de sua vida, material e profissionalmente, por exemplo, e começa a desenvolver um certo gosto por chocolate meio-amargo?
Comments:

4.12.02

Dez minutos
Dez minutos são suficientes. Suficientes para você se apaixonar. Suficientes para você se de decepcionar, partir pra outra. Se não fosse o amor à primeira vista, muitos de nós não estaríamos aqui.
Dez minutos deveriam ser suficientes para chegar ao trabalho, já que muitas vezes temos menos do que isso para tomar banho, café ou almoçar, se é que temos tempo de almoçar.
Dez minutos dá tempo de aprender uma coisa nova, nem que seja uma única palavra de outro idioma que você nunca irá usar. Dez minutos de sono depois que o despertador toca fazem toda a diferença naquele dia que você TEM que levantar cedo.
Dez minutos é o tempo que dura uma paquera antes de ficar chata e um dos dois desistir e desencanar. 24 horas. 6 intervalos de dez minutos por hora. 144 por dia. O que você vai fazer nos próximos dez minutos? Eu tenho que ir.
Comments: